
Presidente fala sobre a evolução da Quinta do Conde, sobre a pesca e sobre a situação do empreendimento projectado para a Mata de Sesimbra
Augusto Pólvora, presidente da CM Sesimbra, desvalorizou, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, as críticas sobre alegados problemas na Quinta do Conde, reafirmando o facto de a freguesia “não ser um caos”. O presidente esclarece que a freguesia já deu “a volta por cima aos problemas decorrentes da sua génese ilegal”, prevendo, que o local se constitua num “lugar emergente, assim como o Pinhal Novo, tal como consignado no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa”.
Além disso, Augusto Pólvora adianta que a vila tem a sua rede de esgotos “totalmente concluída, embora a pavimentação só esteja finalizada em 2010”. Apesar dos avanços, o candidato da CDU reconhece que “ainda existem alguns falhas em termos de arranjos exteriores e na requalificação do espaço público”, adiantado, que há apostas a fazer em equipamentos escolares e em termos culturais, tal como é disso exemplo, a biblioteca para aquela zona. “A vila tornou-se apetecível devido às suas acessibilidades e à facilidade de construção”, acrescenta, adiantando ainda que não considera que a localidade esteja afastada da sede de concelho.
Relativamente a Sesimbra, Augusto Pólvora prevê que se torne “num grande pólo turístico”, embora haja necessidade de precaver outras actividades importantes, como a pesca.
Nesse sentido, continua “a propor um necessário equilíbrio entre a actividade piscatória e o regulamento que restringe a pesca comercial em áreas do parque marinho Luiz Saldanha”. De acordo com Augusto Pólvora, a decisão “lesa a actividade da pesca e de recreio”, uma vez que a vila “tem uma identidade e tradição muito ligada ao mar”. Além de lamentar essa situação, Augusto Pólvora diz-se preocupado com a situação económica dos pescadores, “que está pior”, e com a redução do número de pessoas ligadas a essa actividade, “apesar de a vila ter recuperado o primeiro lugar no total de peixe transaccionado em lota”.
Presidente desvaloriza criticas sobre o projecto da Mata de Sesimbra
Augusto Pólvora classifica de “ridícula” a comparação entre o empreendimento previsto para a mata de Sesimbra e o Freeport. Para suportar a sua posição, o autarca assegura que o local do empreendimento “não é rede natura nem está dentro do Parque Natural da Arrábida” e “respeita o plano de ordenamento do território”
“Existem muitas mentiras a ser escritas, mas a área de construção é efectivamente menor e o plano de pormenor para aquela zona respeita o plano director municipal, apesar de poder alterar este último”, adianta. O presidente lamenta, que “ninguém compreenda” que, com este novo empreendimento, a mata, que actualmente sofre da doença do nemátodo do pinheiro, vai ser reflorestada com novas espécies, nomeadamente sobreiros, carvalhos portugueses e pinheiros mansos. Além de evidenciar “a qualidade ambiental do concelho”, Augusto Pólvora alerta para o facto de a lagoa de Albufeira precisar de “acções de desassoreamento há mais de uma década e de haver “todo um património histórico ambiental e histórico por preservar”.
Em termos ambientais, o presidente realça a “parceria com a WWF” (World Wildlife Fund) e assegura que o principal objectivo da mesma é de que “o saldo em termos de prejuízos ambientais seja zero”.
Carla Graça, dirigente da Quercus, teme que “o projecto não seja viável” e que por isso o “plano de gestão não seja concretizado”. Segundo Carla Graça, este projecto “tem três fases” e apenas “nas duas últimas poderá ser concretizado o plano de gestão ambiental”.
A Quercus considera ainda que este projecto tem “dimensões excessivas” e que o número de camas previstas, cerca de 19 mil, “corresponde a metade da população do concelho”
A Quercus, assim como a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (geota), “não estão contra um projecto na mata de Sesimbra”, mas estão “contra este”. Carla Graça considera este projecto “quase megalómano” e “não lhe parece razoável, nomeadamente nestas circunstâncias económicas”. Ainda assim, os ambientalistas consideram que “a mata precisa de requalificação” e foi então solicitado ao ministério do ambiente “o chumbo deste projecto”.