O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritório e Serviços de Portugal (CESP) denuncia, aos clientes dos hipermercados do grupo Jerónimo Martins, “os muitos atropelos” que afectam os trabalhadores dessas superfícies. Célia Lopes, do núcleo de Setúbal do CESP, acusa o grupo dos hipermercados Pingo Doce e Feira Nova de “não pagar os retroactivos de Janeiro a Abril de 2008”, ou seja, “cerca de 80 euros por cada trabalhador”.
Com conhecimento das jornadas de denúncia feitas pelo sindicato, o Pingo Doce está a distribuir aos seus clientes um folheto no qual assegura que “são afirmações falsas, caluniosas e irresponsáveis”.
Sobre as alegadas irregularidades, Célia Lopes garante que “estão a ser alterados os horários sob ameaça de transferência” e que “as trabalhadoras que estão a fazer amamentação não recebem aos domingos e feriados”. Relativamente a estas acusações, o grupo Jerónimo Martins esclarece que as alterações aos horários de trabalho são feitas “tendo em consideração os limites legais e o objectivo da empresa” e que são “respeitados os direitos de parentalidade” e, nesse sentido, “pagas as horas de aleitação e amamentação efectuadas aos domingos e feriados”.
O CESP explica que “está a distribuir o e-mail do presidente do grupo Jerónimo Martins” e a sugerir que “os clientes denunciem as situações através do livro de reclamações”. “Os clientes estão solidários”, garante Célia Lopes. Por sua vez, fonte oficial do grupo Jerónimo Martins considera que “as estruturas sindicais se movem por interesses partidários” e que “as greves promovidas não têm adesão”, acrescentando ainda que “a taxa de sindicalização é cada vez mais reduzida”.
Célia Lopes lamenta ainda que “a empresa se recuse a reunir com o sindicato” e adianta que “o próximo passo será partir para o tribunal”. Sobre estas acusações, fonte oficial do Jerónimo Martins afiança que “o Pingo Doce tem procurado criar as bases para o estabelecimento de um diálogo frequente e construtivo”, mas que tal não tem acontecido por o CESP manter uma “estratégia de mentira e calúnia”.